Agronegócio tem sido um bom negócio? PARA QUEM?

Publicado em: 1-05-2015

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O Oeste da Bahia tem crescido a uma média superior a 15% ao ano, Luis Eduardo Magalhães cresceu a uma média de 19% ao ano de 2001 pra 2012. De 1999 pra 2012 o PIB de Jaborandi multiplicou por 12, o de Formosa do Rio Preto multiplicou por 14, segundo o IBGE. São números pra deixar qualquer China com inveja. A razão principal é o setor primário: soja, algodão e milho. Esse setor turbinou o setor de serviços das principais cidades e fez a indústria (agroindústria) se desenvolver em Luis Eduardo Magalhães e Barreiras.

Lindos números.

Aí vem minha pergunta, pra quem é que vai essa riqueza mesmo?

O modelo do agronegócio do Brasil é intensivo em capital, intensivo em tecnologia, intensivo em consumo de recursos naturais e, cada vez mais, reduzido em mão de obra. Os resultados são grandes empresas (fazendas) com faturamento anual milionário, toda mecanizada e carente de mão de obra especializada. Resumindo, só a Romanos e a Samavi geram muito mais emprego e movimentam muito mais a economia local de que um punhado dessas grandes fazendas. Porém, essas fazendas empregam, a indústria que surge graças a elas emprega gente também e o dinheiro gasto por esses empresários na economia local emprega muita gente também. Só que a riqueza que chega às mãos da maioria da população é migalha. Toda a riqueza produzida por esses empresários do agronegócio fica nas mãos de poucos, mas é tanta riqueza que as migalhas que eles deixam cair nas cidades polo transformam essas cidades.

A prova disso é que o maior VAB (valor adicionado bruto) da agropecuária do Oeste da Bahia (o maior da Bahia) está em São Desidério, ainda assim, a cidade de São Desidério tem um comércio pequeno, isso porque os que produzem no seu município deixam as migalhas caírem em Barreiras e LEM. São Desidério já teve quase a mesma população de Barreiras há 40 anos, algo próximo de 20 mil habitantes, hoje não chega a 30 mil habitantes (IBGE 2010).

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Além de concentrador, todo esse desenvolvimento econômico tem um custo ambiental muito alto. O preço por ele quem pagará serão nossos netos, basta olhar o mapa acima da Embrapa do Oeste da Bahia, com a área plantada em vermelho. O extremo oeste está, praticamente, todo plantado, desmatado, respeitando apenas, mas nem sempre, as áreas de preservação permanente, os leitos dos rios, atingindo 2,7 milhões de hectares plantada na safra 2012/2013, segundo a SEAGRI. As plantações estão concentradas à margem esquerda dos municípios do Oeste, pois é aí que se concentra os melhores índices pluviométricos para o plantio da soja em sequeiro. Perceba que quanto mais a leste mais aparecem círculos vermelhos (devido à baixa definição da imagem, aparecem como pontos vermelhos) que são pivôs centrais, pra compensar o menor regime de chuva.

Não sou contra o agronegócio, existem muitos exemplos no nosso Oeste de empresários preocupados com o meio ambiente, principalmente depois que descobriram que o equilíbrio reduz o prejuízo, muitos fazem uso de controle de pragas com outros predadores ou agentes orgânicos, além de ter um manejo de terra mais inteligente com preservação de corredores verdes, mas não são todos. Não obstante, mesmo o conceito de desenvolvimento sustentável surge como uma adaptação capitalista da escola neoclássica para atender às demandas ambientalistas de que é possível crescer utilizando os recursos naturais de forma mais utilitária, racional e não predatória.

Por esse alto custo ambiental, ainda sou relutante em afirmar que é melhor esse modelo de desenvolvimento do agronegócio a desenvolvimento algum, pois, ainda acho que é mais fácil iniciar alternativas mais sustentáveis de desenvolvimento a partir de um meio ambiente virgem a um completamente devastado. Entretanto, não posso negar que as migalhas desse sistema concentrador tem mudado a realidade da nossa região.

                                                                         Por Marlos Batista – Cientista Político

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