Quem será o próximo prefeito de Santa Maria da Vitória?

Publicado em: 9-03-2015

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O Exclusivo conversa com Marlos Batista, 29 anos, Cientista Político,  e atualmente,  assessor técnico da Pró-Reitoria de Administração da UFBA.

MArlos

Ele que é filho de político e conviveu a maior parte de sua vida com a politica dentro de casa. E hoje, é dono de um conhecimento cientifico capaz de explicar a origem, o desenvolvimento, as relações e comportamentos políticos de indivíduos ou grupos.
Confira o artigo escrito por ele publicado exclusivamente no O Exclusivo:

Quem será o próximo prefeito de Santa Maria da Vitória?

 Falta mais de 1 ano e meio para as eleições de 2016, Santa Maria da Vitória ainda está com o quadro eleitoral em aberto. Alguns nomes já são citados pela cidade, alguns novos, outros velhos, mas nenhum com peso suficiente para indicar qualquer definição.

 Para tentar fazer um exercício de futurologia política, temos que eliminar algumas possibilidades e desenhar o quadro político atual tentando definir quais são os maiores pesos na balança. O maior peso hoje em Santa Maria (sem trocadilhos, rs) é o atual prefeito reeleito Padre Amário, apesar de todo o barulho da oposição e da provável baixa aprovação dele nesse momento – digo provável pois não vi nenhuma pesquisa –  o padre ainda é o principal jogador que determinará a movimentação das peças adversárias. O fato de ser prefeito por si só já diz muito, mas a votação que ele conseguiu dar aos deputados, mesmo não sendo uma votação exemplar, não demonstrou fraqueza. Entretanto, se o seu mandato não melhorar nos próximos meses (não dá sinal disso), o apoio do Padre pode deixar de ser uma benção pra ser um fardo pra quem o receber. O seu vice, Plínio Leite, hoje é o único nome já definido para as eleições de 2016, isso se não tiver impedimentos legais, creio que não terá, e se ele não preferir retirar a candidatura em nome de uma estratégia melhor. Creio que hoje é o homem não só com a maior habilidade para arranjos políticos em Samavi, mas também o que tem os meios de fazer os arranjos acontecerem. Plínio Leite, se for inteligente e não for orgulhoso, poderá definir o candidato que será eleito em 2016, mas não vejo o próprio sendo prefeito em 2017, precisaria de uma conjunção de fatores que são muito remotos, afinal, Plínio sendo candidato naturalmente carregaria o ônus da gestão do Padre.

Tonho e Prudente também decidem uma eleição, mas, como Plínio, não vejo contexto favorável pra nenhum deles ser eleito em 2016. Talvez se Tonho tivesse o apoio de Prudente e Plínio e de seus respectivos grupos, poderia matar a eleição, porém qualquer um que conhece a política de Samavi sabe que isso é improvável, pra não dizer impossível. Prudente já foi prefeito por 2 mandatos e tem 4 campanhas pra prefeito, não representa nada de novo e o quadro não está favorável pra o eleitor comprar a ideia do “old but gold” (o antigo porém bom), para ilustrar, Prudente em sua primeira candidatura em 96 teve 26% dos votos por que era o novo da política contra 3 candidatos já muito conhecidos (desconsiderando Evaldo Ferreira e Moacyr Brilhantina). Na eleição seguinte, Prudente foi eleito com 52% dos votos, depois caiu para 36% em 2004, não fez o sucessor com 31,5% em 2008 e caiu pra 28,5% em 2012, quase a mesma marca da primeira eleição. Tonho perdeu o bonde na eleição de 2012 ao sair candidato sozinho, sendo que foi convidado por outras chapas para compor. O que poderia ser uma confirmação de sua liderança pra 2016 acabou desestimulando seus apoiadores por marcar passo em duas eleições seguintes tendo 24,38% em 2008 e idênticos 24,38% em 2012 (alguns vão dizer que ele teve mais votos em 2012, mas ele cresceu proporcional ao eleitorado, ou seja, se manteve onde estava), entretanto, se, assim como Plínio, for inteligente e não for orgulhoso poderá definir o prefeito de 2017. Ao contrário de Prudente, ainda tem um futuro político que depende apenas das próprias ações.

O eleitor santa-mariense mudou sensivelmente nas últimas duas décadas.  Há 20 anos, praticamente 80% do eleitorado tinha no máximo ensino fundamental incompleto, esse número hoje caiu pela metade e se encontra em 39% com no máximo ensino fundamental incompleto, dados do IBGE. A combinação de maior estudo do eleitor com maior acesso a informação (internet) faz com que o eleitor de hoje seja muito mais exigente. Não estou dizendo aqui que práticas políticas antiguíssimas ainda não existam, existem e dão muito voto, mas esse dado serve pra auxiliar na descoberta de qual é o perfil ideal de candidato para as próximas eleições. Associado a isso estão as demandas vigentes da população, algo como a segurança, educação e saúde e como o eleitor enxerga o candidato capaz de resolver esses problemas, mas para isso eu teria que ter acesso a pesquisas específicas sobre o tema (coisa que não tenho).

Concluindo imperfeitamente o quadro eleitoral atual de Santa Maria da Vitória, podemos meditar onde se encaixam os novos nomes (apesar de Plínio nunca ter sido candidato a prefeito, ele não é um nome novo). No PT temos 4 nomes oficiais e 1 extraoficial. Edlar, Benílson, Lino e Gervarlino, além de César Lisboa. O PT é rachado, sempre foi, Edlar e Benílson representam o lado do atual presidente do partido, Israel (prof. Valdeci), o que levaria a pensar que eles podem ganhar nas prévias. Entretanto, ingênuo seria o que pensasse que o Padre não escolheria o nome, o PT estadual não vai admitir que o candidato do partido no município não tenha o apoio do prefeito, o que nos remete a Lino e Gervalino, esse último eu não conheço, porém Lino tem todos os requisitos para ser o consenso do partido. Como se encaixa César Lisboa na história? Primeiro que César Lisboa será candidato se de fato quiser ser, tanto pelo apoio do Padre quanto pelo da estadual. Eu me pergunto qual a razão desse petista de Xique-Xique, querer ser candidato a prefeito de Samavi depois de ter ocupado os cargos mais importantes no Estado? Ele não teria força política pra ser um nome a prefeito do domicílio eleitoral dele (Conquista)? Essas interrogações nos levam a algumas respostas: 1- ele tem um amor por Samavi e quer se aposentar politicamente sendo prefeito de uma cidade pequena como ato de altruísmo; 2- ele não tem tanta força política no partido e as ambições políticas dele não dão pra ir muito além da prefeitura da cidade da família dele; 3- ele é apenas uma alternativa do partido caso o racha interno se torne algo insolúvel; 4- ele não será candidato e tudo não passa de invenção. Não sei, mas ele só será eleito se a oposição deixar.

Outros nomes cogitados são: Antônio Lisboa (Toinho de Yolanda), Maurizan, Paulão e Renatinho. Esses dois últlimos estão no mesmo partido e, apesar de Paulão ser bom de voto, Renatinho é muito mais articulador e teria maiores chances de juntar a oposição. Maurizan pra mim é uma incógnita, mas se for candidato nas mesmas situações da passada, no máximo dobrará os votos. Por último vem Antônio Lisboa (Toinho de Yolanda), primo de César Lisboa. Ele foi o deputado mais bem votado na eleição passada em Santa Maria da Vitória, apesar de ter o apelo de ser da cidade, professor Valdeci também tinha, mas Antônio Lisboa (Toinho de Yolanda), tinha um nome virgem na política, sem manchas e sem dinheiro pra campanha (eu vi de perto, rs). Ou seja, o santa-mariense votou nele de graça. O voto pra deputado é bem diferente do voto pra prefeito, talvez ele nem repetiria a mesma votação, 3 mil votos, caso fosse candidato a prefeito, porém tem o nome mais leve de todos os pré-candidatos, junto com Lino, com a vantagem de ter uma eleição como recall, mas a desvantagem de não ter um grupo político forte pra eleição de prefeito.

Então, quem será eleito prefeito em 2016? Quem souber me fale, por favor. Muito embora eu saiba uma matemática simples que todo mundo do meio da política sabe, em Samavi a vaidade, o orgulho e o melindre não vêm permitindo que essa matemática aconteça. Vou explicar. Quer tirar quem está no poder? Basta a oposição se unir em torno de um bom nome, simples. Quem está na prefeitura sempre tem vantagem, inclusive na sucessão, duas coisas tiram essa vantagem, uma gestão anterior ruim, desgastada, com baixo nível de aprovação, ou um nome ruim para sucessor (tem que ser muito ruim). Um prefeito bem avaliado só a exceção a regra tira ele do poder. Numa gestão neutra, mesmo tendendo pra ruim, a oposição precisa se unir, se não, ainda assim, perde. Numa gestão péssima, mesmo a oposição dividida tende a levar, a não ser na exceção a regra.

Vamos simular algumas situações, não darei muitas explicações, pois já me delonguei demais. Com a atual aprovação do padre os resultados seriam: 1) César Lisboa eleito com Plínio, Prudente e Tonho no páreo. 2) Plínio (com apoio do padre) eleito contra Prudente e Tonho. 3) Tonho eleito (com apoio de Prudente) contra Plínio e César Lisboa. 4) Prudente eleito (com apoio de Tonho) contra Plínio. 4) Lino eleito (com apoio do padre) contra Plínio, Tonho e Prudente. 5) Antônio Lisboa (Toinho de Yolanda) eleito (com apoio de Tonho) contra Plínio, César Lisboa e Prudente. 6) Prudente e Tonho aliados elegem qualquer nome em qualquer contexto, desde que seja um terceiro nome.

Bem, vou parar por aqui, já vai dar muito pano pra manga.

 

Marlos P. Batista, Cientista Político.

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