Santa Maria da Vitória: O Exclusivo entrevista a Secretária Municipal de Saúde

Publicado em: 4-12-2015

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O Exclusivo entrevista a Secretária Municipal de Saúde de Santa Maria da Vitória, Raema Fagundes, 32 anos, graduada em Enfermagem. A jovem e competente secretária, fala com O Exclusivo  sobre a situação atual da saúde do município. 

O Exclusivo:  Há quanto tempo está a frente da Secretária de Saúde?

Exatamente há dois (02) anos e quatro (04) meses, eu estou à frente da Saúde Municipal.

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O Exclusivo: Como a senhora encontrou a saúde do município ao tomar posse? 

Na verdade a saúde já vinha muito complicada, porque os recursos que nós recebíamos até então da saúde, já eram insuficientes pra manter a saúde que tínhamos aqui. Porque os nossos programas nenhum deles se sustentam, todos eles o município precisa arcar com o valor restante.

Diante disso a saúde já se encontrava com alguma deficiência na parte financeira por conta disso e que veio a piorar em 2015 com os cortes de alguns recursos que o município já recebia e que já era insuficiente.

O Exclusivo: Sabemos que Saúde é um desafio permanente”. Como a senhora encara este posicionamento?

Este desafio ele vai ser eterno, porque a Saúde é cara. Eu acredito que nós não estamos tendo o olhar diferenciado que deveríamos ter, não só pelo Governo, mas também pelo Ministério. E vai continuar sendo um desafio muito grande  pra enfrentar, porque as pessoas precisam do SUS (Sistema Único de Saúde), ele que no papel é muito lindo, mas que, financeiramente o SUS não se sustenta e nem consegue atender a população com qualidade, a qualidade que elas tanto precisam e é de Direito delas. E com essa crise que o país vem enfrentando e sacrificando a saúde, eu acredito que o desafio deva ser maior.

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O Exclusivo: Como está o atendimento básico do Município?

Nós estamos mantendo o atendimento básico. Todos os nossos PSF (Programa Saúde da Família) eles trabalham com médicos de programas, então nós temos médicos todos os dias com equipe completa trabalhando. São Médicos do Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica (Provab) e Programa Mais Médicos.

No Hospital a gente “desacelerou” cirurgias, ultrassonografias, marcação de exames, todos estes  atendimentos continuam sendo feitos, só está sendo feita uma triagem de prioridades.

Mas com a dificuldade que a gente tá passando esse ano com este corte de recurso, a gente teve que desacelerar em alguns setores, como as cirurgias eletivas que fazíamos até 5 ou 6 por dia, a gente não está fazendo mais. Nós estamos priorizando as urgências, por que se não vai faltar material para urgência. E se Deus quiser para o ano a gente vai conseguir retomar todas essas que estão no aguardo.

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O Exclusivo: Quais foram as maiores dificuldades ao assumir o cargo?

Sinceramente eu tenho que admitir que na saúde, o maior desafio é o financeiro. Porque pra se fazer uma saúde de qualidade, como a população tanto necessita é imprescindível que se tenha recurso financeiro. Por exemplo, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), a gente recebe R$ 170.000,00 e a gente gasta R$ 390.000,00, ou seja, o que o município recebe, é muito inferior ao que ele gasta com UPA.

O Exclusivo: Existem constantes reclamações de falta de medicamentos na Farmácia  Municipal, Hospital e nos PSF. Este fato realmente aconteceu? O problema já foi resolvido?

Vou lhe ser muito sincera. Não é inverdade não. Nós tivemos algumas situações de dificuldades de medicação. Isso por conta do aspecto financeiro, pouco dinheiro pra comprar, as empresas que ganham as licitações de medicação, às vezes acabam dificultando um pouco. Pois não são empresas daqui e por conta da logística acaba atrasando a chegada dos medicamentos.  Muitas vezes já fomos buscar os medicamentos em Guanambi para adiantar o processo.

 O Exclusivo: Quais são as prioridades da política municipal de saúde?

Olha, apegado às nossas dificuldades, a gente tem priorizado a saúde de maneira muito responsável. Temos tentado manter os nossos PSF funcionando direitinho, o Hospital, a UPA, é claro que agora de maneira desacelerada. É tanto que antes conseguíamos atender um número maior de pessoas, mas agora não é a nossa realidade. E tivemos que focar nas pessoas que mais precisa neste momento. Mas a gente continua trabalhando em todos os setores normalmente da saúde como sempre trabalhamos antes.

 

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O Exclusivo: O que pode ser esclarecido sobre os rumores de que a UPA de Santa Maria da Vitória já ficou fechada algumas vezes e que poderá ser  fechada? O que é verdade e o que não é verdade em toda história?

Na verdade nós sentamos e conversamos juntamente com o prefeito. Quando a gente olha a portaria da UPA, a gente ver que o recurso da UPA ele tem que ser tripartite, com recurso Federal, Estadual e Municipal. Mas a verdade é que, até hoje o Estado não arcou com um centavo na UPA.  E pra piorar veio essa crise de 2015, até então o município vinha sustentando, até que chegou o ponto, que não deu mais conta. Se agente recebe R$ 170.000,00 e gasta R$ 390.000,00 esta conta não vai fechar nunca. Não tendo como evitar os problemas, obviamente vamos ter dificuldade de  pagamento com pessoal, com os fornecedores.

Sentamos com o prefeito e elaboramos um documento, aonde a gente solicita do Secretário Estadual de Saúde um esclarecimento, porque até hoje, o Estado não entrou com uma contra partida com a UPA, já que o município não consegue sustentar a UPA só com recurso federal e municipal. E foi depois disso, que começou surgir estes rumores. Por que na verdade, diante deste problema todo, tivemos que diminuir o salário dos médicos, tivemos que reduzir o quadro de profissionais e com isso, muitos médicos foram trabalhar em outros lugares. Mas na verdade, ela não ficou fechada, é que de vez em quando a gente não tem plantonista, aí a gente referencia essas pessoas que chegam lá, para ser atendidas no hospital. Mas a UPA naquele dia não tem médico. Metade da equipe fica na UPA e a outra metade fica no hospital.

 O Exclusivo: Secretária, o que realmente falta para melhorar a saúde do município?

Com certeza precisamos de recursos financeiros. Porque recursos humanos nós temos, pessoal qualificado tem, temos médicos concursados, inclusive, especialistas. Nós temos Cirurgião e ortopedista concursado, uma equipe muito boa que é e está no município. Temos também um anestesista contratado do município, que está com a gente.

 E queria deixar aqui o meu repúdio diante dos R$ 3,8 bilhões que serão cortados, pelo Governo Federal, no orçamento do Ministério da Saúde no Projeto de Lei Orçamentaria Anual – PLOA 2016, relativos as despesas destinadas aos procedimentos de Média e Alta Complexidade – MAC nos municípios brasileiros.

 O Exclusivo: Secretária Raema, O exclusivo agradece pela atenção e deixa um espaço para suas Considerações finais.

Eu quero agradecer ao O Exclusivo pela oportunidade de esclarecer a questão da Saúde de Santa Maria da Vitória, e dizer que trabalhamos com uma equipe responsável que tem sofrido juntos com todos com a situação da Saúde. E que o a gente quer, é ofertar o melhor, mas infelizmente as condições financeiras não tem permitido. Porém , vamos continuar lutando, porque a gente lida com vida. Obrigada.

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